Do amor ao sexo Edição 58 - maio de 2012

Que tal uma DR?

» Izabel Eilert (izabeleilert@terra.com.br)


Não existe um casal hoje em dia que não tenha sentado para discutir a relação (DR). Mas, afinal, onde isso leva? O que os casais buscam nessa discussão? Por que tantos temem esse momento?

Discutir a relação pode ser algo de grande crescimento, mas eles devem saber como fazer. O que se percebe, a meu ver, na maioria dessas DRs, são pessoas que não toleram frustrações e com um nível de exigência do outro muito grande. Passam a ser cobradores e péssimos ouvintes. As conversas se tornam palestras enfadonhas e sem fim, em que o outro não tem interesse a não ser o de fugir dali.

Quando essas conversas são envoltas num tom de cobrança, tudo se dificulta, pois é lógico que o outro logo vai se defender, já que se vê atacado.  Então, é fundamental ter em mente que quando nos relacionamos com alguém temos de estar capacitados a lidar com as decepções. Parece o óbvio, mas os casais têm a tendência de tolerarem muito pouco as frustrações no casamento ou nas relações estáveis. Sempre temos a tendência de achar que é o outro que vai nos preencher e não que nós que precisamos achar o recurso para mudar a nossa vida.

Discutir sobre um mesmo tema várias vezes, sem que haja mudança, é sinal de que a DR não está funcionando. Então pare. Discutir é uma coisa, dialogar é outra, não massacre ninguém. Quando quiser uma DR, tenha em mente sobre o que você quer falar, o que você quer que mude, o que está incomodando especificamente. Seja claro e mantenha o foco do assunto, sem acionar a chave do museu das queixas.

Se você vai falar o que pensa, tem que saber ouvir também. Manter o respeito, um tom de voz amigável e não interromper enquanto o outro fala são algumas ferramentas para uma boa DR. Também se deve observar qual o melhor momento de se falar sobre alguns assuntos delicados. A tendência é de que esses assuntos sejam discutidos em momentos de raiva ou de impulsividade e aí vale a máxima de que quem planta vento colhe tempestade. Procure falar de assuntos mais tensos nas ocasiões em que o casal estiver mais leve, descontraído e mais íntimo sexualmente, mais em harmonia. Certamente fica mais fácil de falar sobre a família do outro, dinheiro, sexo, trabalho e filhos nesses momentos.

Sim, esses podem ser temas bastante difíceis de serem abordados por um casal, pois envolve questões emocionais individuais, crenças, valores, medos e toda a gama de diferenças que existe entre a percepção do homem e da mulher. Se por um lado é delicado, por outro é instigante, pois é exatamente assim que o casal se conhece, estreita os seus laços e se envolve de um modo mais íntimo e maduro.

O diálogo entre o casal é algo fundamental para uma vida a dois saudável. Não esqueça que um clima leve e amoroso também deve ser mantido. Faça a sua parte mantendo as conversas em dia. Evite acumular lixo emocional desnecessário embaixo da sua cama.



"Quando quiser uma DR, tenha em mente sobre o que você quer falar, o que você quer que mude, o que está incomodando especificamente."


* Izabel é psicóloga e terapeuta sexual







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