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Reportagens Edição 119 - novembro de 2017

Como vai ser seu parto?


Sem cortes, anestesia ou remédios. Parto natural ganha força no país

 

O nascimento de um filho é sempre uma das etapas mais especiais da vida de uma mulher. É o momento decisivo em que ela e a família direcionam seus esforços para que tudo ocorra bem. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), dar à luz a um bebê é um ato natural. De acordo com a instituição, se tudo estiver bem com mãe e com a criança, o parto é um processo fisiológico que requer pouca intervenção médica. Já dizia o cientista e obstetra francês Michel Odent, “para mudar o mundo é preciso primeiro mudar a forma de nascer”. Por isso o parto deve ser vivenciado da forma mais instintiva e humanizada possível. É o que defende a ginecologista e obstetra LEILA SPANEMBERG, 41, sendo 13 anos de atuação.



“Ser recebida de forma respeitosa e acolhedora marca positivamente a vida tanto da criança como da mulher. Humanizar é evitar interferir mecanicamente, tanto intervenções técnicas ou cirúrgicas, mas sempre respeitando o desejo da mulher”. Leila Spanemberg

JOICE BERNARDI

 

 

 

2 PERGUNTAS PARA LEILA SPANEMBERG, ginecologista e obstetra

1) PARTO EM CASA É SEGURO?

“O parto humanizado pode ser realizado em casa, em casas de parto, mas preferencialmente no ambiente hospitalar. Enfermeiras e parteiras são profissionais qualificadas para realizar um parto, mas não para agir no caso de uma emergência. Mesmo um médico, sem uma equipe ou sem os instrumentos necessários, pode fazer pouco em situações complicadas. Por causa desses riscos, o parto domiciliar não é recomendado pelo Conselho Federal de Medicina”.

2) COMO É FEITO O PARTO NA ÁGUA E QUAIS AS SUAS VANTAGENS?


“O parto normal na água diminui a dor e o tempo do trabalho de parto, mas para segurança é importante que este seja combinado entre os pais e o hospital ou clínica onde o bebê irá nascer com meses de antecedência. Algumas opções para conseguir um parto na água são a utilização de uma piscina de plástico ou uma banheira, que deverá ser de responsabilidade do hospital. O local deverá estar devidamente limpo e a água precisará estar em torno de 36 graus durante todo o tempo, para que ao nascer, a temperatura seja confortável para o bebê”.



QUANDO O BEBÊ ESCOLHE A HORA DE NASCER


Segundo a médica, o parto humanizado caracteriza-se por um conjunto de práticas e procedimentos que buscam readequar o processo de parto dentro de uma perspectiva menos medicalizada e hospitalar, entendendo tanto a mulher quanto o bebê numa visão mais humana. Seu objetivo principal é atender as necessidades da grávida em trabalho de parto. “Por isso a recomendação é aguardar que o início do trabalho de parto aconteça de maneira espontânea, na data do bebê, sem marcar o dia do nascimento através de cirurgia”, enfatiza.

Neste sentido, Leila diz que o ideal é respeitar a mulher e evitar que ela fique o tempo todo deitada, ou seja, ela pode desejar andar, agachar, fazer uso de água, seja através da banheira ou chuveiro, massagens, usar a bola e/ou outras estratégias para diminuição do desconforto. “A mulher pode decidir o que quer que seja feito no quarto, como ouvir música, ingerir alimentos, fazer ginástica, escolher o seu acompanhante e, inclusive, a forma de reduzir a dor”, fala.

“O parto humanizado propicia um vínculo entre a mãe e o bebê mais rápido, facilitando o início do processo de amamentação, e a presença do pai ajuda na redução do risco de depressão pós-parto”. LEILA SPANEMBERG


FAZER OU NÃO?


O período do pré-natal é muito importante para a tomada de decisão da mulher e da consciência da gestação e do parto – cuidados com o corpo, atividade física, preparo psicológico, definição de equipe e local de parto, tudo dentro do desejo e das possibilidades de cada casal. Para o médico, o principal aspecto é a mulher reassumir o papel de protagonista do parto. “Ela precisa relembrar que o seu corpo é capaz de gerar e parir e que o profissional de saúde está lá para fazer o acompanhamento, avaliando o adequado estado materno e fetal”, frisa.

Conforme Leila, no parto normal existem práticas que foram comprovadas que não são benéficas, como episiotomia (corte no períneo), uso de ocitocina (medicação para acelerar contrações), rotura da bolsa amniótica, raspagem de pelos pubianos e limpeza intestinal. Também preconiza-se o clampeamento tardio do cordão umbilical e contato pele a pele logo depois do nascimento.

A principal vantagem do parto humanizado é tornar o momento uma experiência agradável, confortável e tranquila para a mãe e para o bebê, o que ajuda a reduzir o nível de estresse. Contudo, também existem restrições. “Em alguns casos temos que intervir, sempre com o consentimento da paciente. Existem indicações clássicas para cesariana que devem ser respeitadas! A idade materna avançada, junto com outros riscos obstétricos, deve ter uma monitorização adequada, mas não contraindica o parto humanizado”, destaca.


CURIOSIDADE

A cesárea, cirurgia de médio porte, é recomendada em casos de complicações reais para a mulher e para o bebê e necessita, portanto, de indicação médica. Conforme a OMS, o índice aceitável de cesarianas fica em torno de 15%. No entanto, atualmente, 55% dos partos realizados no Brasil são cesáreas. O índice – que é de 40% no SUS – chega a 84% na rede privada.
Fonte: Blog da Saúde - Ministério da Saúde


SAIBA MAIS

No último mês de setembro, Leila Spanemberg e a enfermeira e doula Larissa Fortes da Costa, 26, pós-graduanda em obstetrícia, consultora em aleitamento materno e instrutora de shantala (massagem para bebês), participaram do IV Simpósio Internacional de Assistência ao Parto (SIAPARTO) em São Paulo. O evento reuniu profissionais referência em obstetrícia do mundo inteiro. “Foi visível o que vimos através da fala destes profissionais, da necessidade de mudanças na atenção ao parto e nascimento para um modelo mais humanizado”, resume.
 






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