Reportagens Edição 107 - outubro de 2016

SOS animal


Saiba o que fazer para salvar a vida de seu animal e as medidas legais cabíveis que podem ser tomadas

 

Centenas de animais são envenenados em Cachoeira do Sul anualmente, com uma taxa alta de mortalidade. É o que afirma o médico veterinário Edson Luiz Salomão, 62, que atua há 40 anos no ramo. “Os casos de envenenamento sempre são muito tristes devido ao sofrimento do animal, que estava sadio e de repente fica com risco de vida. Muitas vezes amanheci na clínica com o proprietário em prantos tentando salvar a vida de seu melhor amigo”, lamenta. “Todo o caso de envenenamento é considerado de emergência”, alerta.


Segundo o profissional, a maioria dos casos de envenenamento acontece por maldade, vingança e também acidentes em que o animal ingere comprimidos, venenos para combater ratos, plantas tóxicas ou quando são picados por animais peçonhentos. “Muitos venenos que causam vítimas são de comercialização proibida no Brasil, mas são vendidos clandestinamente e colocados dentro de pedaços de salames, pão, etc., colocando em risco a vida de crianças, que podem vir a ingeri-los”, frisa. “Os casos de cadelas no cio soltas na rua com vários cães provocam a ira de certas pessoas ou brigas de vizinhos, que se vingam matando os animais. Estes casos, quando comprovados, devem ser registrados na Delegacia de Polícia, pois é crime. Os animais são protegidos por lei”, esclarece.



“Os cães, por serem maior número, são os mais atingidos, mas gatos também são com muita frequência vítimas de envenenamento”, afirma o veterinário Edson Salomão

 


PRIMEIROS SOCORROS – Salomão diz que o mais aconselhável é dar carvão ativado (material de carbono usado para a remoção de impurezas), se o animal estiver consciente, para retardar a absorção do veneno. “Até 30 minutos, em caso de ingerir cápsulas ou comprimidos, provocar o vômito pode ajudar”, assegura. O recomendado é levá-lo a uma clínica veterinária ou médico veterinário com a maior brevidade para tomar as medidas corretas e tentar da melhor maneira salvar a vida da vítima. “Lembrar-se de levar o rótulo, bula, frasco ou nome do que o animal ingeriu ajuda muito, mas nem sempre é possível”, admite.

 

TRATAMENTO – O veterinário fala que a maioria dos venenos não tem antídoto específico e o tratamento é sintomático, usando medicamentos que aliviam os sintomas. “Muitas vezes lavagem gástrica, soro endovenoso e aquecer o animal podem ajudar muito. Provocar o vômito também pode ajudar, mas se for substância corrosiva pode piorar o caso. Muitos venenos produzem convulsões e o médico veterinário tem que sedar e ficar monitorando os sinais vitais”, explica. “Após o animal eliminar o veneno pode sobreviver sem ficar com sequelas dependendo do que ingeriu”, diz Salomão. 

 

 

 

 

FIQUE DE OLHO

Cuidado com seu jardim ou compra de folhagens. Muitas plantas ornamentais são tóxicas e podem levar o animal a óbito. Evite que o seu animal de estimação entre em contato com sapos que às vezes são criados nos pátios, pois eles têm duas glândulas acima dos olhos com um veneno muito potente. Embora não consigam expelir o veneno, se o cão morder a cabeça do animal e ingerir a substância pode ser fatal.
FONTE: Edson Luiz Salomão



IMPORTANTE


“Dar leite para o animal pode fazer com que a absorção da substância seja mais rápida, agravando o quadro clínico. Isso porque o leite possui gordura, que por sua vez facilita a absorção do veneno no organismo”. Edson Salomão


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PALAVRA DO DELEGADO

O delegado regional de Polícia José Antônio Taschetto Mota, 41, informa que praticar ato de abuso e/ou maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos, tem pena de detenção de três meses a um ano e multa. Se o animal morrer, a pena é aumentada.

COMPROVAÇÃO DE ENVENENAMENTO - Mota recomenda primeiramente levar o animal, se ainda vivo, a tratamento imediato com médico veterinário para tentar salvá-lo. “Caso o animal tenha morrido, procurar clínica veterinária, ou mesmo o setor responsável da Prefeitura Municipal, a fim de que seja analisado e emitido atestado ou laudo especificando a causa da morte e o provável veneno ou substância que a causou”, instrui.


O delegado José Antônio Mota revela que o número dos casos de envenenamento não é expressivo em nossa cidade. “Os donos dos animais nem sempre efetuam o registro policial, ou até registram, mas não trazem um laudo ou atestado, o que prejudica a constatação do crime”, justifica





O QUE ACONTECE COM O INFRATOR


O delegado declara que, em vista de ser crime de menor potencial ofensivo, o envenenamento em si dificilmente resultará em prisão. “Provavelmente o responsável será ‘condenado’ ao pagamento de valores para alguma instituição ou a serviço comunitário”, explica. “Entretanto, dependendo do número de animais envenenados e circunstâncias do fato (exposição de pessoas, contaminação de cursos d´água, etc.) a pena poderá ser aumentada. “Além disso, se houver apreensão de veneno e/ou substância proibida com o acusado, este poderá responder por outros crimes mais graves e passíveis de prisão”, completa Mota.
Em qualquer situação, a comprovação do envenenamento dependerá de documento emitido pelo profissional. “Pode-se tentar comprovar mediante outros meios, mas a prova técnica e/ou científica é sempre mais difícil de refutar. Além disso, é necessário efetuar o registro do boletim de ocorrência indicando preferencialmente o local, dia, hora e localização do animal, bem como a indicação sobre haver ou não suspeita com os motivos que a ampare. Quanto mais elementos, mais robusta será a prova do procedimento policial, viabilizando uma condenação criminal”, diz Mota.



O delegado José Antônio Mota fala que está em tramitação no Congresso Nacional um projeto de lei do deputado Ricardo
Tripoli (PSDB-SP) que criminaliza condutas contra a vida, a saúde ou a integridade de cães e gatos. A matéria, aprovada na forma de uma emenda substitutiva do deputado Lincoln
Portela (PR-MG), será votada ainda pelo Senado. “Se for aprovada, a lei tornará as penas maiores, possibilitando a prisão dos autores desse tipo de crime”, afirma Mota.

 





SERVIÇO
O CIT (Centro de Informações Toxicológicas) funciona 24 horas prestando ajuda no tratamento de acidentes por envenenamento, acidentes por animais peçonhentos ou ingestão de remédios e produtos domissanitários (substâncias ou preparações de higienização, desinfecção ou desinfestação domiciliar) para médicos, médicos veterinários e população em geral. Número do CIT do Rio Grande do Sul: 0800-780-200 ou (51) 3217-1751.
 






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