Reportagens Edição 101 - abril de 2016

Elas têm a força!


Mães se desdobram em mil para criar os filhos sozinhas e saber como falar a respeito do pai é fundamental para o desenvolvimento deles

Criar filho todo mundo sabe que não é uma tarefa muito fácil. E criar sozinha é mais difícil ainda. Mas milhares de mulheres o fazem, e se superam todos os dias! Com amor e determinação, elas assumem a função do pai também e se transformam em supermães. E com muita fibra elas encaram o desafio e colhem sozinhas os frutos da recompensa quando veem seus filhos felizes, com saúde e conquistando seus ideais. Este é o maior presente da vida delas!

De acordo com a psicóloga Cecília Chaves, 46, sendo 13 anos de profissão, quando acontece a viuvez é importante que a mãe traga a imagem do pai. “O filho tem que saber sua origem mesmo que já tenha outro pai (adotivo ou padrasto). Ele precisa saber quem foi o pai dele, ver fotos e entender por que ele não está mais junto”, explica. Todas as informações devem ser ditas conforme a idade da criança e sem excesso de sofrimentos por parte da mãe. “Normalmente a criança dá o ‘sinal’ para a mãe saber se está na hora de abordar este assunto”, diz a psicóloga.

No caso de o pai existir e não ser presente também é necessário, segundo Cecília, falar sobre ele e dar ao filho o direito de decidir sobre seus sentimentos para com este pai ausente. “Essa clareza irá facilitar a organização das emoções da criança, possibilitando o enfrentamento da verdade e deixando livre para o que desejar viver com esse ‘pai’”, fala a psicóloga.



Cecília Chaves é psicóloga especialista em gestão de pessoas



COLÉGIO
Algumas vezes, festas no colégio para os pais podem deixar as crianças que não têm a figura paterna presente constrangidas. O educador deve ter um cuidado ao falar sobre este assunto e, de acordo com Cecília, o ideal é ter um conhecimento prévio sobre cada aluno e saber como ele reage a isso. “Assim possibilitará a dinâmica para as homenagens sem causar uma dor a quem, naquele momento, sofre por não ter um pai, podendo até mesmo liberar a criança de participar de momentos mais específicos, principalmente se ela sofre com a falta desta figura paterna”, explica Cecília.

FAMÍLIA
“As figuras paternas e maternas fazem parte da origem do filho. Nos dias de hoje, cada vez mais, formas diferentes de família buscam a maternidade, mas ainda assim existiu um ‘esperma’ na origem. E esta representatividade no contexto psíquico do sujeito sempre se fará importante, por isso as mães precisam ter cuidado para não ignorarem este fato. Temos muitos exemplos em clínica que nos levam a este entendimento, pois o sofrimento psíquico poderá se manifestar de várias formas e em fases diferentes de indivíduo para indivíduo”, explica Cecília.




A homenagem aos pais e mães (ou às figuras que os representam) no colégio é importante para fortalecer esse valor familiar. E dependendo da situação pode ser trabalhada a importância da família como um todo”.
CECÍLIA



FIQUE DE OLHO


“O papel do psicólogo escolar é de grande importância para que possibilite o mínimo de equilíbrio nas relações dentro da escola, auxiliando assim para um aprendizado seguro”, alerta Cecília.

 



Elas são supermães!

 


Lena Caetano, 53, repórter, mãe de Cristianno Caetano, 26, fotógrafo

Acho que toda mulher já nasce forte, corajosa e com fibra. Faz parte do pacote. Sou isso e muito mais. Ser mãe, para mim, foi a mais linda consequência de um grande amor que não resultou em união. Fui mãe solteira. O maior desafio durante o crescimento do Cristianno foi ser mãe ao quadrado para tentar, de certa forma, compensar a ausência de um pai que ele sabia que existia, mas não conhecia. Sempre fui sincera com ele e falei para o meu filho sobre o pai que um dia ele iria conhecer, mas ele faleceu antes disso”.

 

 


Taiana, Natalia e Maria Cristina

Não é nada fácil criar filhos sozinha porque a responsabilidade de educar e de repassar os valores é dupla. Muitas vezes a dificuldade de aceitar uma crítica se torna maior porque achamos que ninguém tem capacidade de sentir o amor de uma mãe e às vezes no tornamos super protetoras. Meu maior desafio foi mostrar a força de um pai guerreiro e amoroso, não deixando que a imagem dele fosse esquecida. Fiquei viúva com 39 anos (a mesma idade que minha mãe também ficou viúva e eu era criança) e minha filha mais nova tinha seis anos. Marcou muito uma apresentação que ela teve no colégio pelo Dia dos Pais. Cada aluno tinha que se vestir com a roupa do pai ou de um homem que quisesse homenagear e ela não quis. Disse que a mãe dela era o pai dela também e ela ia homenagear a mãe”.

Maria Cristina Schaurich Beskow, 54, psicoterapeuta holística. Ela é mãe de Natalia Beskow Barros, 25, administradora de empresas, e Taiana Beskow Barros, 20, estudante de Direito





Jonice Machado Silveira, 37, psicóloga, mãe de Theo Silveira Ludtke, 3

Em janeiro de 2013, quando estava grávida de sete meses, meu marido sofreu um acidente de moto e veio a falecer. Em abril nasceu o meu filho e não me sinto diferente por criá-lo sozinha. Sei que muitas pessoas também passam por isso. A vida me impôs esta situação e estou tentando encarar da melhor maneira possível com o apoio da família e dos amigos e vivendo um dia de cada vez. Desafios existem a todo o momento. Estar sozinha para cuidar e decidir o melhor para o meu filho não é uma tarefa fácil! Precisei reestruturar minha vida e organizar minha rotina, pois meu filho é minha prioridade. Em muitos momentos acabo negligenciando meus próprios interesses em prol do meu pequeno. O medo de errar é constante, a insegurança surge, mas as recompensas são maiores”!




Ana Lucia Monteiro da Silveira, 56, costureira, mãe de Jonathan, 26, técnico em enfermagem

Quando eu fiquei viúva meu filho tinha apenas quatro. Morávamos em Porto Alegre e ficou muito complicado criar um filho sozinha numa cidade grande. Resolvi voltar para Cachoeira do Sul, cidade em que nasci, e recomeçar tudo de novo. Foi uma batalha árdua, era pai e mãe, cuidava da casa e trabalhava. Quando tinha homenagem para os pais na escola meu filho Jonathan sempre homenageava a mim, e era emocionante. Quando os amiguinhos de escola perguntavam para ele sobre o pai eu sentia que ele ficava abalado e às vezes não respondia, pois não tinha uma resposta que preenchesse este vazio. Não foi fácil, mas fui à luta e venci”.




CRÉDITOS
Fotos: Cristianno Caetano
Roupas: Inttimação
Salão de Beleza: Cenário Urbano/ Cabelos, Alvio Borba,  maquiagem, Gabriele Pasqualin e
manicure Juliane Melgarejo


 






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