Reportagens Edição 100 - março de 2016

Por uma vida melhor


Amor pelo filho com Down faz advogada lutar pela inclusão

 

Mãe, advogada, assessora parlamentar e presidenta de ONG, Michele dos Santos, 34, é várias mulheres em uma só. Aos 18 anos ela deu à luz um menino especial, o Mateus Freitas, que hoje está com 15 anos e estuda no nono ano do Colégio Barão.

Em busca de apoio e para poder ajudar outras mães ela conheceu a Associação dos Familiares e Amigos do Down (Afad), onde atua como presidenta. “É um privilégio estar à frente da associação que tanto me ajudou. Esse trabalho só me orgulha e me faz retribuir aquilo que recebi”, diz.

Michele conta que a parte mais difícil é lidar com o preconceito e principalmente a desinformação em relação ao que é a síndrome de Down. “As dificuldades que a gente encontra para inserir o filho em todos os espaços sociais são muitas e a luta pela inclusão começa dentro da família. É preciso conhecimento e fazer valer”, completa.



 

Amor retribuído: Michele é presidenta da associação de Down onde o filho Mateus estuda






3 perguntas para Michele

1 Quais são os desafios e as recompensas de criar um filho com síndrome de Down?

No início, a parte mais difícil foi a desinformação familiar e a negativa de matrícula do meu filho. A recompensa é a certeza que vai dar certo e vibrar com cada conquista na independência. O Mateus tem uma vida absolutamente normal. Ele foi alfabetizado no quinto ano, sabe ler, escrever e interpretar, mas não dá para comparar com outros que têm a síndrome. Cada indivíduo tem um desenvolvimento único.

2 Como combater o preconceito?
A informação é a chave. Na maioria das vezes as diferenças não são respeitadas e valorizadas no contexto escolar, social e também familiar. É alto o índice de famílias e pais que não aceitam os filhos com síndrome de Down. Eles são deixados com as mães, que ficam desamparadas, fragilizadas e não sabem a quem recorrer. Trabalhos desempenhados por ONGs como a Afad são louváveis, pois acreditam na autonomia das pessoas com deficiência.

3 O que podemos fazer para mudar essa realidade?
Eu não aceito que o meu filho ocupe grupos especiais, mas espaços sociais como qualquer outra criança, desde que seja garantida a inclusão que a gente tanto luta. Na Afad, eu cobro dos pais para inserir seus filhos dentro do ambiente comum. Buscamos fortalecer a relação entre família e escola e conscientizamos os pais para colocá-los no mercado de trabalho, contribuindo para a sua própria autonomia.


GABRIEL RODRIGUES

 






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