Reportagens Edição 100 - março de 2016

Da escola às passarelas


As modelos cachoeirenses que abriram mão dos estudos para seguirem a carreira

 

Para muitos pode parecer um equívoco, mas para outros, uma chance de crescer profissionalmente. A modelo Clara Raddatz, 18, começou a trabalhar em 2014, quando estava cursando o segundo ano do ensino médio. Clara chegou a conciliar a escola com o trabalho, mas, segundo ela, prejudicava ambas as partes, por isso deu uma pausa de um ano nos estudos para se dedicar à carreira.

Ela conta que seus pais ficaram relutantes no início, mas admite que eles sempre confiaram em suas decisões. “Eu optei por uma profissão a qual não necessitei uma faculdade, mas que com certeza é tão ou mais difícil do que muitas outras”, afirma a modelo, que planeja concluir o terceiro ano ainda em 2016. Se valeu a pena? Ela não tem dúvidas: “absolutamente”.

Clara Raddatz chegou a fotografar para diversas marcas de fast fashion no Brasil e participou de editoriais para revistas como La Hora Mujeres e Caras Temas, no Chile. Ela também dividiu um catálogo das lojas Falabella com a top model Gisele Bündchen, chegando a fazer um ensaio fotográfico no deserto de Atacama. Clara planeja a próxima viagem internacional e deixa uma dica para as meninas que querem seguir a carreira: “Estejam dispostas a trabalhar firme e a esperar, porque o que vem disso é mágico”.



Clara, que mora hoje em São Paulo, em ensaio fotográfico para a loja YouCom Jeans, de Porto Alegre



A OPINIÃO DO PROFISSIONAL


Para o empresário e agente de modelos Roger Slim, 51, com 30 anos de atuação, os estudos estão em primeiro lugar, mas algumas vezes as oportunidades surgem e elas devem ser aproveitadas, pois podem não acontecer novamente. Sobretudo, Roger salienta que a decisão deve ser tomada somente pela modelo e pela família dela.

Especialista em detectar new faces (rostos novos) para o mundo da moda, Roger conta que as agências buscam meninas que tenham medidas padronizadas, mas isso só não basta. “Elas têm que ser desenvoltas e cultas”, esclarece. O scouter alerta que a agência pode investir na modelo, mas não paga tudo, e ela não vai para o exterior sem falar o inglês básico e o espanhol. Roger ressalta que a modelo precisa se dedicar aos estudos, conforme estabelece o Juizado da Infância e da Juventude. “É preciso alinhar cuidados físicos, disciplina e coragem e, principalmente, ter o apoio da família”, destaca.

Roger admite que a profissão de modelo era vista com cautela e tratada de forma depreciativa antigamente. “Hoje muita gente bacana dignifica a carreira, como é o caso de Gisele Bündchen”, lembra. Roger Slim é um dos primeiros scouters que mais descobriu modelos cachoeirenses com destaque nacional e internacional. “Cachoeira sempre foi e sempre vai ser um berço de beleza”, afirma.



“Se foi o tempo que modelo é só um rosto bonito”, diz o scouter Roger Slim

 

 

 

 

 

Segunda colocada no Supermodel of the World

A modelo Lisa Haetinger, 16, não concluiu o primeiro ano do ensino médio para se dedicar ao trabalho como modelo em São Paulo, onde se prepara para ser lançada no mercado da moda. A garota entende que é difícil conciliar as duas coisas, mas acredita que fez a escolha certa, recebendo total apoio dos pais. Lisa ficou em segundo lugar no maior concurso de modelos do mundo, o Supermodel of the World, realizado pela Ford Models, no Paraguai, no último mês de dezembro. “A oportunidade é uma só. Ela tem uma cabeça boa e vai dar tudo certo”, apoia o pai Leandro, pedreiro, 44.

Lisa pretende retornar aos estudos em 2017, quando se estabilizar na carreira. Sua irmã, a estudante de Fisioterapia da Ulbra Diuli Haetinger, 19, foi aprovada por uma agência de modelos, mas não quis desistir da faculdade. Lisa pretende participar da seleção para o desfile do São Paulo Fashion Week 2016, o maior evento de moda do Brasil, sem data marcada. A garota revela que seu maior sonho é ser uma modelo da Victoria’s Secret, nos Estados Unidos.


Lisa iniciou a carreira de modelo este ano em São Paulo


GABRIEL RODRIGUES

 






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