Reportagens Edição 98 - dezembro de 2015

Eles trabalham com PAPAI NOEL


Enquanto algumas pessoas comemoram o Natal e o ano-novo em casa com suas famílias, outras fazem plantão com o bom velhinho

 

Para que a véspera de Natal seja realmente uma noite feliz, muitas pessoas precisam estar trabalhando e abrindo mão de estarem reunidas com suas famílias para que tenhamos segurança, saúde, alimentação, combustível nos carros, informação (através dos meios de comunicação) e muitas coisas mais. São as profissões que “nunca param” e que passam, muitas vezes, despercebidas por nós. LINDA convidou alguns leitores para contar as experiências que tiveram trabalhando nas datas comemorativas de final de ano e eles contam também do amor que têm pela profissão que escolheram.



Médica competente, mãe dedicada E APAIXONADA POR SALVAR DIAS

No dia em que se comemora o nascimento de Jesus, a médica pediatra Renata Machado Moraes, 45, fica no hospital trabalhando para que os bebês venham ao mundo lindos e saudáveis. A comemoração dela na véspera de Natal é com cada criança que nasce com saúde ou com a possibilidade de poder dar a assistência rápida para aqueles prematuros que necessitam de cuidados imediatos.

Renata é intensivista neonatal e trabalha no ramo há 17 anos. Natural de Caçapava do Sul, a médica mora em Cachoeira do Sul desde 2011, mas faz parte da cidade há 15 anos, desde quando iniciou a UTI infantil no Hospital de Caridade e Beneficência (HCB). Ela é casada com o cardiologista Roger Martins de Souza, 47, e mãe de Sophia Moraes de Souza, 9, que nasceu enquanto Renata estava de plantão na UTI neonatal.

A médica é querida na cidade e conhecida pelo carinho que tem pela profissão. Cuida da UTI infantil como se fosse um filho e não mede esforços para trabalhar. “Criança não escolhe hora para nascer ou ficar doente. Quando optei ser pediatra e intensivista neonatal já sabia que plantões iriam fazer parte da minha rotina, inclusive em domingos, feriados e datas comemorativas”, diz Renata.

EMOCIONANTE - “No último Natal, quando cheguei à UTI havia um prematuro extremo com menos de 900 gramas apresentando sangramento pulmonar. O estado dele era gravíssimo e passei a noite toda em cuidados com o paciente. O pai do bebê olhou para mim e disse: ‘Eu ainda vou levar o meu filho ao seu consultório’. Após três meses internado com risco de vida, o recebo para sua primeira consulta. Não tem presente maior para nós pediatras”.


PROFISSIONAIS QUE TRABALHAM NA UTI INFANTIL - “Estamos há algum tempo com dificuldades de médicos intensivistas para realizar plantões. Como é sabido, a procura de residência médica em áreas como pediatria e intensivismo vem diminuindo a cada ano. Quando estamos de plantão atendemos a UTI neonatal, salas de parto e emergências de crianças no hospital. A responsabilidade é muito grande. Hoje em dia ouvimos muito falar em qualidade de vida e, certamente, trabalhar finais de semana e datas comemorativas, se privando da companhia de nossas famílias, foge desta qualidade de vida. É uma doação. O mês de outubro foi muito apreensivo pela possibilidade de fechar a UTI neonatal por falta de profissionais, o que já vem acontecendo em outras cidades do estado”.


UTI INFANTIL DO HCB - “A nossa UTI dispõe de todos equipamentos e medicações necessárias para um ótimo atendimento. Temos autonomia para realizar tudo que for preciso para salvar vidas. Todos os profissionais são qualificados para lidar com prematuros e crianças de alto risco. Dispomos de uma equipe multidisciplinar com enfermeiros, técnicos, psicólogos, cirurgiões e fisioterapeutas, entre outros. Temos uma médica coordenadora responsável pela UTI neonatal, Aline Couto, que fica disponível 24 horas do dia caso seja necessário.”


REFERÊNCIA NO ESTADO -
“A UTI é referência no Rio Grande do Sul. Atualmente existe a Central de Leitos do Estado, que regula leitos para gestantes e crianças de alto risco. No hospital dispomos de um hotel para as mães provenientes de outras cidades que fornece alimentação, lavanderia, acompanhamento psicológico e assistência social para estas famílias.”



"Somos mães emprestadas dos bebês que ficam na UTI e o amor a eles é inevitável”. Renata

FOTOS PATRICIA MAY

 

 

 


Mantendo a ordem na cidade

"Quando escolhi esta profissão sabia que iria ter que abrir mão de muitas coisas, inclusive festas e datas comemorativas. Mas o mais importante é que meus filhos compreendem a importância do meu trabalho. Eles têm orgulho de saber que a mãe deles está prestando um serviço à comunidade. É fundamental amar muito o que faz e saber que enquanto as pessoas se divertem é necessário que alguém esteja cuidando para que tudo ocorra bem”.

NOITE DE ANO-NOVO -– “São muitas histórias, mas numa véspera de Ano Novo eu e meu colega fomos atender a um acidente de trânsito em que o condutor se lesionou. Éramos só nós e a vítima do acidente. Não havia ninguém na rua. Enquanto atendíamos o acidente começaram os fogos. Nem nos demos conta. Somente quando um casal parou seu carro e veio nos cumprimentar é que vimos que já era ano novo”.

Primeiro-sargento Elisangela Figueiredo Nunes, 43, policial militar com 21 anos de profissão

“Desde pequenos meus filhos entendem minha profissão e compreendem quando não podemos estar juntos”. Elisangela

FABIANA TISCHLER




"É um dever garantir a segurança de quem está comemorando o Natal e o ano-novo. Quando escolhi ser policial estava ciente disto e gosto muito de fazer o que faço. É a profissão onde me sinto realizado, e saber que meus familiares estarão me esperando ao término de minha jornada de trabalho é muito bom. Como cita Confúcio: “Escolha um trabalho que você ame e não terás que trabalhar um único dia em sua vida”.

NOITES DE RÉVEILLON -– “Já aconteceu de passar o réveillon controlando um motim, quando trabalhei no Complexo Penitenciário de Charqueadas, em 2011. Mas o réveillon de 2003 foi especial. Recebi a notícia de minha transferência de Porto Alegre para Cachoeira do Sul, onde passei o final de ano junto à minha esposa e familiares aguardando a chegada de nossa filha Bibiana, que nasceu em 13 de janeiro de 2004”.

Augusto César Domingues de Moraes, 39, policial militar com 15 anos de profissão

“É satisfatório garantir a segurança das pessoas. Gosto muito do meu trabalho”. Augusto

 




"O cuidado com a vida não tem hora e exige doação diária. Por isso encaro como algo normal da profissão que escolhi trabalhar em datas comemorativas. É muito bom saber que podemos fazer a diferença na vida de tantas pessoas. Temos que amar o que a gente faz! Cuidar dos outros, que é o que eu faço, exige muita dedicação e carinho”.

EMOCIONOU –- “Era véspera de Natal, estava cuidando de uns idosos no resort onde trabalho, até que a família de um deles chegou para visitar e foram fazer uma oração. E ele disse: “Só um pouco, chama as meninas da casa”. Após nos reunirmos com eles, ele disse: “Agora sim minha família está completa”. É satisfatório perceber o quanto vale a pena todo esforço que a gente faz, que todo tempo é recompensado com gestos de amor e carinho”.

Deise Biscaglia Ferreira, 34, enfermeira e cuidadora de idosos com 15 anos de profissão

“É muito bom saber que você faz a diferença para algumas pessoas”. Denise




Cuidando de idosos

"Quando escolhi esta profissão sabia que ia ter que abrir mão de muitas coisas. O começo é complicado, mas meu trabalho me proporciona a lei do retorno. Dar atenção e carinho aos idosos é tão recompensador que deixa de ser um sacrifício trabalhar em datas comemorativas e passa a ser emocionante, principalmente no Natal, quando ficam mais sensíveis, pois nem sempre podem estar juntos de sua família e acabamos fazendo esse papel”.

FAMÍLIA UNIDA - “No último Natal, eu estava de plantão na clínica onde trabalho durante o dia. Meu pensamento estava dividido, pois sabia o quanto era importante eu estar ali feliz e de bom humor, mas também lembrava de meus filhos de sete e 10 anos em casa. Aí fui autorizada a convidar minha família para passar a tarde comigo. Foi muito legal poder estar com os idosos, meus filhos e marido juntos. As crianças alegraram a casa e eu fiquei realizada, trabalhei mais feliz”.

Amanda Bittencourt Ayres, 32, cuidadora de idosos há cinco anos

“Tenho duas famílias, uma em casa e outra no lugar onde trabalho”. Amanda
 






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