Reportagens Edição 96 - outubro de 2015

PARABÉNS, PROFESSOR!


O que seria de nós sem os professores para nos prepararem para a vida? Esta é uma das profissões mais importantes do mundo e tem uma data para ser comemorada: 15 de outubro. LINDA perguntou para 11 professores o que é o melhor desta profissão e o que não é tão bom assim. Veja também o que alguns têm a contar sobre pérolas de alunos em sala de aula.

 

“O melhor da minha profissão é quando percebo na expressão de meus alunos que o tema da aula está tendo um significado e que foi despertada uma necessidade pessoal para a busca de conhecimento. De outro lado, é péssimo constatar o descaso do poder público com a educação”.
LISIANE LIRIO FRIEDERICH, 40, professora de Biologia da Escola Borges de Medeiros com 20 anos de profissão



“Disse para uma aluna de 52 anos de idade que ela não precisaria assistir às aulas de minha disciplina após um longo dia de trabalho, pois já havia obtido aprovação no Enem. Ela respondeu: ‘Professor, eu estou aqui é para aprender e não para passar. Quero assistir às suas aulas’. O melhor da minha profissão é isto: ver que os estudantes, apesar das dificuldades, ainda acreditam que o estudo é a saída para uma vida melhor. No entanto, nossos governantes, em sua maioria, não pensam assim, e este é o lado difícil de ser professor”.
MARUÍ SAMUEL FRIEDERICH DOS SANTOS, 42, professor de Física há 18 anos na escola Vital Brasil



“No início da década de 70 e já pensando em ser professor, escutei uma frase que me marcou: ‘Se queres ser professor, tenha um trabalho paralelo para ter qualidade de vida, pois ser só professor e ainda mais de escola pública, terá enorme dificuldade financeira’. A educação no  Brasil  não é e nunca será prioridade e o salário de professor será sempre baixo, então fundei uma academia, que é minha principal fonte de renda”.
ANTONIO CERENTINI ACHE, 60, professor de Educação Física, sendo 38 anos de profissão



“O que eu adoro na minha profissão é quando meus alunos ou ex-alunos me falam sobre a satisfação de terem aprendido as disciplinas comigo e que estão aplicando os conhecimentos. O que não gosto é que cada vez mais os pais têm menos comprometimento com a educação de seus filhos e também a irresponsabilidade de alguns alunos”.
CLARISSE BILLES SALZANO, 52, professora formada em Ciências Químicas, Físicas e Biológicas e também em Pedagogia. Atua há 12 anos e trabalha na Escola João Neves da Fontoura



“É gratificante poder proporcionar para os meus alunos não só conhecimentos, mas também o afeto e a atenção que necessitam. A parte ruim é a baixa remuneração, que, mesmo não justificando, muitas vezes leva ao desinteresse de alguns colegas em realizar um bom trabalho. Quando escolhemos ser professores já sabíamos que não era das profissões mais remuneradas”.
ROSANE PEDROSO DE OLIVEIRA, 51, pedagoga e professora de educação infantil há 30 anos



“Apesar da crise e do desmanche que o governo está tentando fazer conosco, ensinar é indescritível. É muito bom ver os alunos formados, entrando na universidade e dando continuidade aos estudos. A parte desagradável é a falta de interesse crescente dos alunos, que são cada vez mais atraídos pela tecnologia e internet”.
MARIFRAN DOS SANTOS NUNES, 50, professora com 20 anos de profissão



“O que é muito bom dentro da minha profissão é o retorno que obtive ao longo dos 30 anos de carreira, seja ele em aprendizado, troca de experiências, amor, amizades e muito mais. A parte ruim é deparar-se com um aluno que não demonstra interesse em aprender e não aceita ser ajudado”.
SÔNIA CRISTINA FIGUEIRÓ, 52, professora



“É gratificante ver que muitos alunos se tornaram profissionais bem-sucedidos. A parte ruim é a desvalorização e falta de qualificação profissional para determinadas áreas”.
ADRIANA CAPRIOLI MACHADO, 50, professora, sendo 25 anos de profissão



“Ver meus ex-alunos brilharem hoje é tudo que sempre almejei! A parte ruim é falta de incentivo e respeito por parte dos governantes – não só na remuneração justa, mas, principalmente, na preocupação de ‘qualificação profissional’”.
ANA RITA BARBOSA RAMOS, 70, professora aposentada de Geografia. 25 anos de trabalho



“Um dos momentos mais emocionantes para mim foi ouvir de um aluno durante uma viagem de estudos a Porto Alegre que era a primeira vez que ia passar da Ponte do Fandango. Proporcionar uma experiência nova a alguém é maravilhoso. Ano passado enfrentei e venci um câncer bastante agressivo. Durante estes dias, uma aluna competiu e venceu uma prova de atletismo e dedicou sua medalha de campeã à minha pronta recuperação. Foi o amor dos alunos e colegas de escola, que considero minha segunda família, que me fez ir em frente na vida e na carreira”.
JULIANA DOS SANTOS NORONHA, 30, professora formada em Sociologia atuando há quatro anos na Escola Dinah Néri Pereira



“O melhor é a relação de troca de conhecimentos e experiências com os alunos. E é muito triste ver um aluno abandonar a sala de aula, muitas vezes, para trabalhar e ajudar no sustento da família. Certa vez, por notar que um aluno não estava bem o chamei para conversar. Toquei em seu ombro chamando-o de filho e perguntei o que estava acontecendo. Ele emocionou-se e, chorando copiosamente, ressaltou o desejo de que sua mãe o chamasse de filho. A partir daí nunca mais ele faltou à aula”.
ANA LÚCIA MACHADO FALCÃO, 55, pedagoga, atuando como professora há 33 anos
 






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