Reportagens Edição 95 - setembro de 2015

Gordinho nunca mais!


A cirurgia de redução de estômago é uma opção de vida nova para quem está muito acima do peso

 

Se preocupar com o excesso de peso vai muito além da estética, é uma questão de saúde e sobrevivência. Afinal, gordura demais é sinônimo de que as coisas não andam bem e que as atitudes e hábitos precisam ser mudados. Mas nem sempre é fácil emagrecer sozinho e nem questão de “tomar vergonha” na cara.

Uma opção para quem está muito acima do peso é a cirurgia bariátrica, ou seja, uma redução do estômago que tem como objetivo o emagrecimento de quem está com o índice de massa corporal (IMC) muito elevado. Ela é indicada também para quem tem complicações como apneia do sono, hipertensão arterial, diabetes, aumento de gorduras no sangue e problemas articulares.

Para fazer a cirurgia bariátrica é preciso muita coragem, estar por dentro de todos os riscos do pós-operatório, e, principalmente, ter persistência. Após o procedimento, no primeiro mês, o operado só pode tomar 50 ml de líquidos e tem que ser de meia em meia hora (sem pular). No mês seguinte o mesmo, só que com comida pastosa, e só a partir do terceiro mês é que pode ir variando os alimentos.

LINDA conversou com oito leitores que fizeram a cirurgia e todos concordaram em uma coisa: ter feito a redução de estômago foi maravilhoso e mudou a vida para melhor.



Aline Rockenbach Calderaro, 33, corretora de imóveis 

Cirurgia: Há 1 ano e 3 meses
Antes: 118,8 kg  Agora: 66,3 kg

“Eu tinha certo receio de fazer a cirurgia e o que me impedia realmente de tomar a decisão era o meu preconceito em relação ao procedimento. Como a maioria das pessoas, eu não compreendia que obesidade é uma doença e não ‘falta de vergonha na cara’. Achava que tinha a obrigação de conseguir sozinha. Eu decidi fazer a cirurgia quando percebi o quanto o peso excessivo estava afetando minha saúde (física e mental), mas também pela estética, nunca consegui me sentir bem comigo mesma sendo gorda. Consegui mudar meus hábitos. Na verdade, meu paladar mudou bastante também, hoje eu tenho vontade de comer arroz, feijão, carne, salada, sopas... Antes era lasanha, pizza, xis, batata frita, pastel...”.




Milena Pavanatto da Silva, 17, estudante 


Cirurgia: Há 7 meses
Antes: 125 kg  Agora: 89 kg

“A cirurgia me trouxe muitas alegrias e descobertas, além de levantar minha autoestima. Sempre fui gordinha e não conseguia emagrecer, o que estava comprometendo minha saúde. Contei os meses para completar 16 anos e poder fazer este procedimento, pois esta é a idade mínima. A maior dificuldade foi me acostumar com a rotina nova de alimentos e atividades físicas, mas aprendi a gostar de tudo isso. Tomei consciência que tinha que mudar meus hábitos e não sinto falta de nada que ingeria antes. Hoje tenho um cardápio saudável de alimentos bem diversificados. A gula foi embora com os quilos a mais”.





Rodrigo Kury, 37, maquiador 

Cirurgia: Há 6 meses
Antes: 135 kg  Agora: 81 kg

“Quem faz esta cirurgia precisa ter um bom acompanhamento psicológico. Não é fácil mudar os hábitos do dia para a noite. O bom é que a gente não sente mais aquela fome e consegue se controlar, até porque, se comermos demais vamos nos sentir mal depois. Faço atividade física diária agora e tenho o acompanhamento de uma nutricionista. Do que sinto falta? Só do meu champanhe para relaxar, já que no primeiro ano as bebidas de álcool são proibidas”.

Crédito:
Vanessa Soares




Fabiane Barbosa Machado, 42, química   

Cirurgia: Há 6 meses
Antes: 114,6 kg  Agora: 77 kg

“Fiz a cirurgia por problemas de saúde e buscando mais qualidade de vida. Por incrível que pareça, ainda não senti falta de nada, faço a minha alimentação e fico satisfeita. Estou muito feliz com os resultados, renasci. A saúde vai muito bem e tenho mais disposição para atividades físicas e no trabalho. O apoio da família é fundamental! Os principais cuidados pós-cirúrgicos são as caminhadas, a fisioterapia, os medicamentos prescritos pelo médico, os curativos nos locais das incisões, o horário das refeições e as dietas líquida (nos primeiros 30 dias), pastosa (nos 15 dias seguintes) e branda. Também o acompanhamento da equipe”.





Clarisse Hollweg Dias, 57, professora  

Cirurgia: Há 3 anos e 5 meses
Antes: 93 kg Agora: 63 kg

“Meu cardiologista me orientou a fazer a cirurgia em função dos problemas cardíacos que estava tendo. Tive que identificar os alimentos que o meu organismo passou a não aceitar, no meu caso, doces em geral. Aprendi a não comer além da conta e com os olhos, pois se isso acontece passo muito mal. Na verdade, não sinto falta de nada, pois posso comer tudo o que gosto, mas tudo muito pouco. Se forçar até posso comer mais, mas o medo de passar mal é grande e o de voltar a engordar também. A autoestima melhora 100%. Olhar no espelho se gostando é uma sensação maravilhosa”.

Crédito: Click Duo




Rosângela da Silva Oliveira, 50, empresária   

Cirurgia: Há 9 meses
Antes: 96 kg  Agora: 64 kg

“Precisava aumentar a minha autoestima, pois as roupas já não serviam e eu acabava sempre usando roupas largas. Tinha dificuldade na movimentação e em todos os momentos da minha vida eu passava envolvida com dietas e medicamentos. Nos primeiros dias em que comecei a poder comer de tudo, muitas vezes servia a mais do que eu poderia, mas não conseguia, então não forçava. Aos poucos fui me acostumando com a minha nova realidade. Não sinto falta de nada, pois posso me alimentar normalmente, mas em pequenas quantidades”.




Leandro Raddatz, 41, diretor da unidade educacional do Senac Cachoeira do Sul  

Cirurgia: Há 5 meses
Antes: 138 kg  Agora: 99 kg

“Foram dois os fatores que me encorajaram a realizar a cirurgia: saúde e autoestima. Em relação à saúde, estava hipertenso e com arritmia (tratando as duas situações com medicamentos). Estava também com os índices de colesterol, ácido úrico, triglicerídeos e glicose elevados. Em relação à autoestima, também era bem complicado você vestir uma roupa e não se sentir bem como gostaria. Me sinto outra pessoa e é uma alegria poder olhar uma roupa e ter o número que deseja. Pelo fato de nos sentirmos bem, parece que não teríamos problemas em ingerir algum alimento sólido. E é aí que mora o perigo, pois a cirurgia ainda não está cicatrizada e o alimento pode causar uma fístula (rompimento do grampo) e causar uma infecção generalizada. Depois da cirurgia não podemos mais ingerir anti-inflamatórios e corticoides e também engolir bagaços de frutas cítricas e de melancia, que podem causar uma obstrução intestinal”.




Luciano Lara, 49, advogado  

Cirurgia: Há 2 anos
Antes: 176 kg  Agora: 104 kg

“Antes de fazer a cirurgia eu tinha pressão alta e o risco de dormir e não amanhecer. Decidi que queria ver meu filho crescer, e para isso tinha que mudar os hábitos. Foi muito bom ter feito esta cirurgia. Hoje como de tudo, mas em menor quantidade. Gordo não escolhe roupa, só sapato e meia, compra o que encontra na loja, e eu tinha muita vontade de escolher o que eu ia vestir. Hoje eu posso comprar o que realmente gosto. Antes eu vestia calças número 74, agora estou no 52. O melhor é que não sinto mais fome, não como com os olhos. Sinto falta às vezes de um espeto corrido com uma Coca-Cola, mas sei me controlar, até porque, se exageramos na comida corremos o risco de morte, podemos romper o intestino. Minha vida mudou para melhor!”.


FIQUE DE OLHO

Corpo novo


Após a realização da cirurgia bariátrica aparecem os excessos de pele, que podem ser tirados com a cirurgia plástica

A perda rápida de peso e volume corporal geralmente resulta em excesso de pele com dobras no abdome inferior, braços e coxas, por exemplo. São as conhecidas “pelancas”. Contando uns 12 ou 18 meses depois da cirurgia bariátrica, depois que o peso estiver estabilizado, pode-se fazer uma cirurgia plástica para realizar estas correções. “Só depois da liberação do cirurgião do aparelho digestivo, da aprovação do clínico geral e do cardiologista e com avaliação psicológica e esclarecimentos dos benefícios e riscos da cirurgia que a plástica pode ser feita”, é o que diz o cirurgião plástico Márcio D’Elia, 41, sendo 15 anos de profissão. De acordo com D’Elia, a cirurgia plástica não é indicada como método de emagrecimento e sim para correção de dobras de pele e sequelas da grande perda nos tecidos, resgatando a autoestima e bem-estar físico e psíquico.




 

 

 

A obesidade é uma doença caracterizada pelo excesso de gordura no corpo. O acúmulo ocorre quando a oferta de calorias é maior que o gasto de energia corporal e resulta frequentemente em sérios prejuízos à saúde. Suas causas são ingestão excessiva de alimentos, falta de atividade física, tendência genética e problemas hormonais.






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