Reportagens Edição 71 - julho de 2013

Amizade para durar uma vida / Especial Histórias de amizade


“Contar que se tem uma amizade há uma, duas ou mais décadas não é nada inédito, apesar de considerar uma bênção. Muitas pessoas têm a alegria de cultivar a união com um amigo por anos, alguns pela vida inteira, mas nosso afeto uma pela outra vai além, temos uma amizade sincera e despretensiosa. Somos amigas há 25 anos, desde o ensino fundamental no Colégio Imaculada Conceição. Na ingenuidade da infância, nossa alegria era mostrar as canetas coloridas no estojo, bater papo no recreio, escrever no diário de recordações e mandar bilhetes.

Os anos foram passando, não mais corríamos e brincávamos juntas na escola, mas nunca nos distanciamos, pelo contrário, cada vez mais parecidas em sonhos, projetos de vida e gostos, fomos ficando mais unidas. Podemos dizer que nossa vida é marcada por coincidências. Nos formamos na faculdade juntas e fizemos especialização na mesma época. Vivemos juntas a crise dos 30 anos. Hoje vivemos uma fase novamente igual, que é a realização do sonho de construir nossa casa. É bem divertido porque, além de tudo, nós trocamos informações e dúvidas de obra, valores de materiais e tudo mais. Somos muito parceiras e transformamos tudo em muita diversão.

Há algum tempo atrás, estávamos querendo viajar e sabíamos que não existiria parceria melhor para uma viagem tão divertida e planejada. Então arrumamos a mala e fomos para a Europa. Um dos nossos destinos foi a Eurodisney, na França, e foi divertido demais. Lá, voltamos literalmente a nossa infância, rimos muito, tiramos mil fotos abraçadas com os personagens infantis, brincamos, rimos até a barriga doer. Foram dias únicos, onde definitivamente foi constatado que o bem mais precioso são os amigos. Rimos muito, choramos abraçadas e voltamos a ser criança. Cada uma tem o seu jeitinho, mas, no fundo, somos idênticas.

O melhor de tudo isso, dessa amizade tão verdadeira, é constatar que, num mundo tão medíocre e pobre desse sentimento, nós nos amamos muito e se nossas vidas têm a beleza da infância no presente é porque temos uma a outra”.

Suelen Bernardes, 30, dentista, e Taciana Casarotto, 30, fisioterapeuta


Suelen e Taciana: amizade que já dura 25 anos





Suelen e Taciana em 1994: lembranças da época do colégio


Um dos sonhos de criança da Suelen e da Taciana foi realizado há dois anos
 


Crédito: Niágara Opção 3





 

A história de um bonde de amigos


““Em meados de janeiro de 2012, era para ser um domingo qualquer, mas foi marcante. Era o início de uma nova era, porque naquele dia foi marcado o início da nossa amizade. Eu era muito amiga da T’amai Treichel e, através dela e de outros amigos em comum, formamos um grupo inseparável. Selamos uma parceria e um carinho enorme. Acredito que esse era o grande diferencial do nosso grupo, que ficou conhecido como Bonde. Porém, nossa homenagem aqui é para aquele que nos uniu mais ainda, que nos deu o prazer da sua convivência e do seu sorriso durante esse tempo. O Bolha (Rafael Quilião) era o mais diferente de nós todos. Ele era o mais do bem, o mais mimoso.

Nós, meninas, morríamos de ciúme dele e não deixávamos ele ficar com ninguém nas festas, pois estávamos sempre grudadas nele. Em uma de nossas brincadeiras, falávamos que tinha o BBBonde e todos já diziam que o campeão seria o Bolha, sem dúvida nenhuma. Em razão de querer mostrar o nosso carinho por esse membro tão especial do grupo, a T’amai deu a ideia de fazermos uma festa surpresa de aniversário para ele. Armamos tudo, fizemos cartazes, janta, bolo, velinhas, balões e inclusive uma mensagem surpresa de carro-som. A alegria dele era visível, fizemos vídeos, onde ele agradece muito.

A parte triste da nossa história aconteceu exatamente um ano depois de selarmos a nossa amizade. Num sábado de manhã do mês de janeiro, sabíamos que o Bolha iria a Bagé para fazer aula de inglês e depois retornava a Cachoeira. Quando chegou a noite, o Emerson e a Bárbara ligaram para o Bolha por volta das 2h15min da madrugada para saber onde ele estava e ele falou que tinha ido a Santa Maria com o Murilo Baroni e estava em uma boate naquele momento. Parecia normal, mas para nós não foi. Por que ele não nos avisou que viajaria?

Normalmente, sempre contávamos o que iríamos fazer e convidávamos uns aos outros. Mas naquele dia sabíamos que ele queria ter ido sozinho, sem avisar nenhum de nós. Na manhã de domingo ficamos sabendo da tragédia e logo mais foram confirmados os falecimentos do Murilo e do Bolha. A morte deles nos abalou muito. O Bonde todo perdeu um pedaço. O membro mais especial - e não digo isso só porque hoje ele está no céu, digo porque todos tinham um amor incondicional por ele - havia partido. O que nos conforta é que sempre falávamos o quanto nós o amávamos e o quanto ele era perfeito para nós.
Hoje em dia, semanalmente, o grupo se reúne. No início foi muito difícil, pois nos lembramos dele a todo o momento. Mas estamos seguindo com nossas vidas, não mais como antes, para sempre vai faltar aquele brilho, o brilho no olhar que nos faz admirar tanto esse amigo”.
 
Maria Eduarda Ilha, 20, auxiliar financeiro e estudante de Administração,

Os integrantes do Bonde são Maria Eduarda Ilha, 20, auxiliar financeiro e estudante de Administração, Mariele Tavares, 21, auxiliar administrativo, Pablo  Severo, 22, estudante de Direito, Bárbara Moura, 22, estudante de Direito, T’amai Treichel, 23, estudante de Administração, Emerson Augusto de Loreto, 23, empresário e estudante de Psicologia, e Rafael Quilião de Oliveira, 27, era estudante de Engenharia da Computação



Emerson, T’amai, Pablo, Bárbara, Rafael, Mariele e Maria Eduarda



Bárbara, Pablo, Maria Eduarda, Emerson, Mariele e T’amai (acima): amizade para superar a perda de Rafael
 


Crédito: Niágara Opção 3




 

Esquadrão Ninja


“Somos quatro amigos inseparáveis que cresceram juntos no Bairro Alto do Amorim: Angelo Sousa Oliveira, 32, Juliano Sousa Oliveira, 34, Tiago Santos, 32, e eu, Maurício, 36. Personalidades diferentes: o preguiçoso, o sabe-tudo, o sem paciência e o brincalhão (nesta ordem), mas todos com seus valores. Estávamos sempre juntos. Jogamos muita bola no meio da rua com os pés descalços, buscávamos macela juntos toda quinta-feira santa e estudamos nos mesmos colégios. Já na infância, formamos um grupo chamado Esquadrão Ninja, onde cada um tinha uma carteirinha de identificação e seu próprio símbolo. Também tomávamos banho de açude e saltávamos da plataforma nos fundos da Centralsul, onde hoje em dia é a Granol, por isso inventamos um certificado de bravura, honra e coragem para aquele que tivesse coragem de saltar, e nós quatro fomos merecedores. Uma das coisas mais marcantes da nossa amizade foi uma arca que está enterrada com brinquedos e objetos da época em que éramos crianças. Enterramos nos fundos da casa dos meus pais e vamos desenterrá-la quando passarmos dos 50 anos. Isto foi um pacto que fizemos há 19 anos. Temos muitas fotos juntos e histórias que dariam um belo livro. Ano passado, fiz duas tatuagens no braço para homenageá-los, uma com o símbolo de cada um de nós e a outra com nosso lema “Honra e coragem”.  Atualmente, Angelo, Juliano e eu somos colegas de trabalho na Prefeitura Municipal e Tiago trabalha na Granol, onde costumávamos praticar nossos saltos. Nos reunimos sempre que possível e adoramos reviver o Esquadrão Ninja e todas as boas lembranças que ficaram. Somos padrinhos de casamento uns dos outros e dos filhos também. Estaremos para sempre juntos. Sinto-me abençoado por Deus por ter os melhores amigos do mundo”.

Maurício Berté Oliveira, 30 anos, funcionário público




Angelo, Tiago, Juliano e Mauricio:
“Uma amizade tão forte que ultrapassa gerações”, Maurício



Maurício e Tiago:
unidos desde a infância



Passar o dia no balneário era um dos passeios favoritos desta turma. Na foto o amigo Adilson da Silva Martins e o Esquadrão Ninja, Maurício, Tiago, Angelo e Juliano (o que está deitado)





Coincidências do destino


“Antes de completar meu primeiro ano, conheci dois irmãos gêmeos, Guilherme e Gustavo do Canto Machado, 19. Morávamos na mesma rua e nos víamos todos os dias. Foram muitos banhos de piscina e brincadeiras até escurecer. Nos meus seis anos de idade, conheci, na Escola Casa da Criança Coração de Jesus, a Alana Balardin Ribeiro, 18. Leonina, 10 dias mais velha do que eu. Identificamo-nos à primeira vista e ali surgiu o mais puro sentimento que conheço. Por obra do destino, os gêmeos mudaram de endereço e a Alana de escola.  Resultado: Guilherme, Gustavo e Alana se conheceram e passaram a estudar na Escola Borges de Medeiros, a partir da segunda série. Enquanto isso, eu continuava na escola de freiras. Tamanha foi a minha surpresa quando descobri que os meus melhores amigos agora eram colegas. Fomos nos encontrar novamente na quinta série, todos na Borges, e lá permanecemos até concluir o ensino médio. Durante todo esse tempo, convivíamos como irmãos.  Hoje, tomamos caminhos diferentes. Eu estudo Jornalismo e faço estágio na Câmara de Vereadores, a Alana estuda Psicologia, o Guilherme faz um Técnico em Administração e o Gustavo ingressou no serviço militar, mas nos encontramos sempre que a saudade bate. Passamos por todas as mudanças da infância para adolescência e, hoje, ingressamos juntos no “mundo adulto”, mas sem nunca perder a essência e a leveza de uma amizade fiel e duradoura”.

 

Priscila de Morais Kellermann, 18 anos, estudante




Priscila, Guilherme, Alana e Gustavo: “Dentro de cada um de nós existe uma grande parte do outro”, Priscila






Nós te amamos, Aline!


“Somos amigas há três anos e nesse tempo passamos por muitas felicidades. De um tempo para cá, eu e minha amiga Júlia Cardoso, 13, ficávamos zoando a Aline Schumacher, 13, porque ela estava sempre perdida e cansada. Certo dia, a Aline chegou para nós e disse que não estava bem, então nós paramos e fomos ver o que estava acontecendo com ela. No início estávamos levando na brincadeira porque pensávamos que não era nada sério.  Até que numa sexta-feira ela nos disse que ia sair mais cedo da escola para ir ao médico e nem conseguimos dar tchau para ela. Hoje ela está num hospital em Santa Maria e vai ficar mais de meses lá porque ela está com uma doença séria. Eu e a Júlia queremos que ela saiba o quanto ela é importante para nós e a amamos muito. Estamos confiantes de que tudo vai dar certo. Queremos que esta homenagem na LINDA seja nosso presente do Dia do Amigo para ela”.

Thais Schirmer, 15, estudante

Júlia, Thais e Aline: “Sabemos que tudo vai dar certo e logo estaremos as três juntas de novo”, Thais



Thais e Júlia:
homenagem para Aline no Dia do Amigo





Sempre grudadas!


“Somos três amigas inseparáveis! Conhecemo-nos quando estávamos no jardim de infância do Colégio Marista Roque. Certo dia, fomos pendurar cartazes para uma exposição e desde então nunca mais nos separamos. Seguidamente nos reunimos para brincar, jantar, ir ao cinema, à sorveteria e fazer a noite do pijama, com muitas risadas. Somos companheiras também nas atividades extracurriculares. Jogamos vôlei, dançamos street e frequentamos uma escola de inglês, enfim, gostamos de fazer muitas coisas juntas. Até a faculdade queremos fazer juntas. Nosso sonho é sermos médicas”.

Gabriela Bessow Vieira da Cunha, 12 anos, estudante



Isadora de Carvalho Schramm, 11, Gabriela, Laura Chaves Schmidt, 12: “Somos importantes uma para a outra”, Gabriela





50 anos de amizade


“Com 18 anos de idade, há 45 anos, deixei Cachoeira do Sul, mas nunca esqueci o gosto especial da minha origem e nem deixei de lembrar o calor dos meus amigos. Toda vez que retorno à cidade, eu me surpreendo visitando o João Neves, a escola da minha vida, e mais ainda me surpreendo ouvindo pelos corredores as vozes da minha infância. São nestes corredores, que hoje parecem pequenos, quando a saudade mais aperta. Ouço a Maria da Graça, a Lucia e a Angela falando alto, cantando, me chamando para a aula, pedindo para falar baixo, puxando minhas infantis orelhas de abano. Minha vida cruzou com essas três pessoas especiais. A vida passou, mas os sentimentos são e serão sempre os mesmos. Somos amigos de uma vida toda. Sempre que podemos nos reencontramos para tomarmos café, degustarmos um vinho, rir bastante e, ao final, deixamos marcado nosso próximo encontro, que poderá ser nas páginas da revista Linda”.
 
Carlos Baisch, 61, administrador de empresas


               

 

                   
“Somos amigos de alma, para sempre”, Carlos Schirmer Baisch, 61
Maria da Graça Vidal Schmidt, 62, Lucia Schwab, 62 e Angela Schumacher Schuh, 61 (todas professoras)






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