Reportagens Edição 65 - dezembro de 2012

Papai Noel existe, e vive bem pertinho de nós


O famoso velhinho de barba branca deixou um legado de seguidores em Cachoeira, pessoas que dedicam seu tempo e recursos financeiros para que a tradição dos presentes de Natal chegue até aos menos favorecidos

 

Uma das lendas do Natal diz que o bom velhinho mora no Polo Norte e o personagem foi inspirado em São Nicolau Taumaturgo, um arcebispo da Turquia no Século IV. Nicolau costumava ajudar as pessoas que estavam com dificuldades financeiras presenteando com moedas de ouro. Tudo era feito no anonimato.

Os papais-noéis de Cachoeira igualmente tentaram ficar anônimos até a revista LINDA pedir a eles para dividirem com os leitores as experiências que tiveram vestindo a famosa roupa vermelha e branca. São pessoas comprometidas em arrancar sorrisos e afastar qualquer tristeza que esta data possa trazer.

Janete Kasper Lacerda, 43, é uma Mamãe Noel que mora aqui. Ela é vendedora e há sete anos distribui presentes em bairros da cidade e arrecada abraços e beijos como recompensa. O que financia a compra dos brinquedos é a metade do seu 13º salário. “Eu paro o carro e as crianças já se aproximam. A alegria e o sorriso delas são muito sinceros, basta dar um pouquinho e elas já ficam muito felizes”, conta, emocionada. Para dar corda à imaginação, a fantasia é fundamental, e Janete não dispensa nunca. Também participam deste ritual de amor seu marido, Sandro Lacerda, 51, sua filha Pâmela, 23, e seu genro Willian Miranda, 25. “A única coisa que levamos da vida é o bem que fazemos pelos outros”, conclui a vendedora.

 

 

Janete: metade do 13º é para os presentes de Natal das crianças carentes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Javerson Dorneles Silveira, 39, é metalúrgico de profissão e Papai Noel nas horas vagas. “A empresa em que eu trabalho, a Screw, tem um projeto social que distribui presentes para as crianças na véspera do Natal e me convidou para participar. No início, achei meio estranho, me pegaram de surpresa, mas logo comecei a me engajar, e quero continuar fazendo isto muitas vezes”, conta Silveira. Os brinquedos são distribuídos em creches da cidade e a alegria das crianças faz ele relembrar sua infância. “Posso ver nas crianças a emoção e euforia que eu sentia quando era pequeno. Receber o abraço apertado delas é ótimo”, conta.


Javerson: representa os colegas de trabalho neste ato de amor

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

 

 

 

Papai Noel cachoeirense também tem time de futebol. Vestido a rigor e sem esquecer o time do coração, Marcelo Elesbão Fontoura, 23, funcionário público, escolheu as cores do Grêmio para levar alegria para crianças carentes na véspera desta data tão emotiva. “Coloco travesseiro na barriga, sempre dou um jeito. Não é profissional, mas as crianças adoram”, conta ele. Segundo Marcelo, ajudar o próximo faz parte dos ensinamentos que teve em casa. “Os olhos das crianças brilham tanto que só quem está lá é que sabe. O pouco que fazemos nos renova e nos motiva para o ano inteiro. Com R$ 5,00 ou R$ 10,00 já podemos comprar um bom presente”, completa Marcelo.

Marcelo: o Papai Noel gremista em encontro com o Papai Noel Javerson em dia de entrega de presentes

 

 

 

 

 

 



 

 

 

 

 

 

Tem Papai Noel que já nasceu distribuindo presentes. É o caso do empresário Bernardo Vieira da Cunha, 24. “Esta vontade despertou em mim ainda na infância. Quando deixava de usar os meus brinquedos, eu levava na creche”, conta Bernardo. Para ele, a forma como os pequenos olham e sorriem compensa o esforço. Ele fala ainda que é muito gratificante ver que algumas delas ainda acreditam em Papai Noel, se aproximam para beijar, puxar as pernas e dar abraços. “Em muitos casos, estes presentes são os únicos que elas ganham. É algo simples, mas para elas é grandioso”, ressalta.

Bernardo: desde criança já gostava de distribuir presentes nas creches

Roupa: apoio Loja Oba Oba

 

 

 

 

 

 

 





“Este Papai Noel é de verdade”. Esta frase é a que Sergio Krug, 48, funcionário público, mais adora escutar. Ele conta que já deixa a barba crescer em setembro para ser o mais original possível. “As crianças pedem para puxar a barba, e isto emociona. Elas acreditam que estão diante do verdadeiro Papai Noel, e isto resgata o carinho das pessoas”, conta Sergio. A cada Natal, são presenteados de 100 a 150 baixinhos, e ele conta com uma turma de amigos e colegas da Corsan que também colaboram na causa. As boas ações de Sergio não param por aí. Na noite de Natal, ele é contratado para entregar presentes em casas de famílias e o dinheiro que cobra para isto é doado para entidades. Um bom exemplo de dedicação e amor à causa.
Um dos parceiros de Sergio nesta luta por arrancar sorrisos é o seu colega de trabalho, também funcionário público, Claudio Mendes, 40. Há mais de 10 anos, ele decidiu fazer algo pelas crianças carentes das creches de Cachoeira do Sul. Perguntamos a ele o momento mais marcante destes anos todos e Claudio disse que é impossível dizer, pois todos são incríveis e emocionantes. “Só de ver aquelas carinhas bonitinhas já me motivo para seguir adiante. Não importa se o presente é de R$ 5,00 ou R$ 50,00, a alegria delas é a mesma. E o mais interessante é que elas não têm concorrência e não se importam se um presente é melhor que o outro, elas gostam de tudo”, conta Claudio, emocionado.

Sergio e Claudio:
parceria na semana do Natal




 

 






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